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quinta-feira, 13 de março de 2014

Às vezes, em Tardes de Inverno

Às vezes, em Tardes de Inverno,
Uma Luz Enviesada —
Como o Som das Catedrais
Opressora, Pesada —

Nos fere com Dor Divina —
Porém cicatriz não fica
Senão no fundo de nós,
Onde o Sentido habita —

É o Selo do Desespero —
A ele — Nada lhe Falta —
Angústia imperial
Que nos desce do alto

Quando vem, a Terra atenta —
Sombras — param no ar —
Quando vai, é como a Morte
Ao Longe, a se afastar —

(Emily Dickinson, tradução de Paulo Henriques Britto)

       

There’s a certain Slant of light,
Winter Afternoons —
That oppresses, like the Heft
Of Cathedral Tunes —

Heavenly Hurt, it gives us —
We can find no scar,
But internal difference,
Where the Meanings, are —

None may teach it — Any —
‘Tis the Seal Despair —
An imperial affliction
Sent us of the Air —

When it comes, the Landscape listens —
Shadows — hold their breath —
When it goes, ‘tis like the Distance
On the look of Death —


Emily Dickinson

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Primeiro Ato é achar / Finding is the first Act

Primeiro Ato é achar,
Perder é o segundo Ato,
Terceiro, a Viagem em busca
Do “Velocino Dourado”

Quarto, não há Descoberta —
Quinta, nem Tripulação —
Por fim, não há Velocino —
Falso — também — Jasão.

Emily Dickinson


Tradução: Paulo Henriques Britto


Finding is the first Act
The second, loss,
Third, Expedition for
The “Golden Fleece”


Fourth, no Discovery —
Fifth, no Crew —
Finally, no Golden Fleece —
Jason — sham — too.


Emily Dickinson

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Esta é minha carta ao mundo / This is my letter to the world

Esta é minha carta para o mundo
Que nunca escreveu para mim
Simples novas que a Natureza
Contou com terna nobreza

Sua mensagem, eu a confio
A mãos que nunca vou ver
Por causa dela- gente minha-
Julgai-me com bem querer

Emily Dickinson - (Tradução Aila de Oliveira Gomes)

This is my letter to the world,
That never wrote to me,
The simple news that Nature told,
With tender majesty.


Her message is committed
To hands I cannot see;
For love of her, sweet countrymen,
Judge tenderly of me!


Emily Dickinson

domingo, 4 de abril de 2010

Quando uma palavra morre

Quando uma palavra morre
Quando é dita -
Dir-se-ia -
Pois eu digo
Que ela nasce
Nesse dia.

Emily Dickinson
Tradução de Aíla de Oliveira Gomes



A word is dead
When it is said,
Some say.
I say it just
Begins to live
That day.

Emily Dickinson

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Noites Loucas — Noites Loucas!

249

Noites Loucas — Noites Loucas!
Estivesse eu contigo
Noites Loucas seriam
Nosso luxuoso abrigo!

Para Coração em porto —
Ventos — são coisas fúteis —
Bússolas — dispensáveis —
Portulanos — inúteis!

Navegando em pleno Éden —
Ah, o Mar!
Quem dera — esta Noite — em Ti
Ancorar!


Emily Dickinson
Tradução: Paulo Henriques Britto


249

Wild Nights — Wild Nights!
Were I with thee
Wild Nights should be
Our luxury!

Futile — the Winds —
To a Heart in port —
Done with the Compass —
Done with the Chart!

Rowing in Eden —
Ah, the Sea!
Might I but moor — Tonight —
In Thee!

Emily Dickinson

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Tive uma jóia nos meus dedos

Tive uma jóia nos meus dedos —
E adormeci —
Quente era o dia, tédio os ventos —
"É minha", eu disse —

Acordo — e os meus honestos dedos
(Foi-se a Gema) censuro —
Uma saudade de Ametista
É o que eu possuo —

Emily Dickinson
(Tradução Augusto de Campo)
XXXIII


I HELD a jewel in my fingers
And went to sleep.
The day was warm, and winds were prosy;
I said: “’T will keep.”

I woke and chid my honest fingers,—
The gem was gone;
And now an amethyst remembrance
Is all I own.

Emily Dickinson

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Dois poemas estelares

Sou ninguém! Quem é você?
Você também é ninguém?
Então há um par de nós!
Não diga! eles lhe avisaram - você sabe!

Como é ameaçador - ser - Alguém!
Como é público - como um Sapo -
Dizer o nome de alguém - Junho completo -
Para um charco a admirar.


Tradução literal de João Alexandre Sartorelli

Two Star Poems

I'm Nobody! Who are you?
Are you - Nobody - Too?
Then there's a pair of us!
Don't tell! they'd advertise - you know!

How dreary - to be - Somebody!
How public - like a Frog -
To tell one's name - the livelong June -
To an admiring Bog!


Emily Dickinson