Tento acertar meu relógio
pelo seu, parado, há tanto
com o suor do pulso, seco
a pulseira de couro partida
que ainda guarda algum sal.
Pai, a certeza de sua hora
me falta, e mesmo tendo
andado, não consegui chegar
a tempo, de pegar seu passo
emparelhar-me — servir
de companhia para sempre —
e passar à descendência
os firmes compromissos
pois me perdi pelo caminho.
FREITAS FILHO, Armando. Lar,. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
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quinta-feira, 9 de maio de 2013
domingo, 29 de novembro de 2009
MADEMOISELLE FURTA-COR
Por esta fresta te espreito
Por esta fenda te desvendo
Por esta fresta
cravo
sonda contra esponja
e babo
e te penetro
teso e reto, e por inteiro
o teu corpo se entreabre:
porta e perno, caixa e coxa
Por esta fenda
tenda
de pele que se franze
e rasga
eu me adentro
feito de espera e de esperma
e espremo —te aporto— e exprimo
toda a cor da carne do amor que escrevo.
Por esta fenda me espreito
Por esta fenda me desvendo.
Armando Freitas Filho
De A mão livre (1979)
Por esta fenda te desvendo
Por esta fresta
cravo
sonda contra esponja
e babo
e te penetro
teso e reto, e por inteiro
o teu corpo se entreabre:
porta e perno, caixa e coxa
Por esta fenda
tenda
de pele que se franze
e rasga
eu me adentro
feito de espera e de esperma
e espremo —te aporto— e exprimo
toda a cor da carne do amor que escrevo.
Por esta fenda me espreito
Por esta fenda me desvendo.
Armando Freitas Filho
De A mão livre (1979)
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