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quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Estava deitado...
Estava deitado...
Estava deitado dormitando sob
uma árvore quando me despertou
o rumor de uns ramos e vi
passar um homem voando;
mas agora que o digo, talvez fosse
um pássaro.
M'estava ajaçat...
M'estava ajaçat dormitant sota
un arbre quan em va despertar
un soroll de branques i vaig veure
que passava un home volant;
però, ara que ho dic, potser era
un ocell.
Tradução de Antonio Cicero
BROSSA, Joan. Poemes de Joan Brossa (antologia). Madrid: Ediciones Libertarias, 1983.
Marcadores:
Catalão,
Joan Brossa,
O espaço ao redor e além,
Tradutor Antonio Cicero
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
José Luis Hidalgo: "Si supiera, Señor..." / "Se soubesse, Senhor..."
Se soubesse, Senhor...
Se soubesse, Senhor, que Tu me esperas
na borda implacável da morte,
iria a tua luz, como uma lança
que atravessa a noite e nunca volta.
Porém sei que não estás, que viver só
é sonhar com teu ser, inutilmente,
e sei que, quando eu morra, é que Tu mesmo
Terás morrido com a minha morte.
HIDALGO, José Luis. In: RODRIGUEZ, M.D. y TABOADA, M.P.D. (orgs.) Antologia de la poesía española del siglo XX. Madrid: Istmo, 1991.
Tradução de Antonio Cicero
Se soubesse, Senhor, que Tu me esperas
na borda implacável da morte,
iria a tua luz, como uma lança
que atravessa a noite e nunca volta.
Porém sei que não estás, que viver só
é sonhar com teu ser, inutilmente,
e sei que, quando eu morra, é que Tu mesmo
Terás morrido com a minha morte.
Si supiera, Señor...
Si supiera, Señor, que Tú me esperas,
en el borde implacable de la muerte,
iría hacia tu luz, como una lanza
que atraviesa la noche y nunca vuelve.
Pero sé que no estás, que el vivir sólo
es soñar con tu ser, inútilmente,
y sé que cuando muera es que Tú mismo
será lo que habrá muerto con mi muerte.
HIDALGO, José Luis. In: RODRIGUEZ, M.D. y TABOADA, M.P.D. (orgs.) Antologia de la poesía española del siglo XX. Madrid: Istmo, 1991.
Tradução de Antonio Cicero
Marcadores:
Espanhol,
O espaço interior,
Tradutor Antonio Cicero
domingo, 11 de julho de 2010
Borra / Heces
Borra
Esta tarde chove como nunca; e não
tenho ganas de viver, coração.
Esta tarde é doce. Por que não há de ser?
Veste graça e pena; veste de mulher.
Esta tarde em Lima chove. E lembro
as cavernas cruéis de minha ingratidão:
meu bloco de gelo sobre sua amapola,
mais forte que seu “Não sejas assim!”
Minhas violentas flores negras; e a bárbara
e enorme pedrada; e o trecho glacial.
E porá o silêncio de sua dignidade
com óleos ardentes o ponto final.
Por isso esta tarde, como nunca, vou
com este mocho, com este coração.
E outras passam; e vendo-me tão triste,
tomam um pouquinho de ti
na abrupta ruga de minha profunda dor.
Esta tarde chove, chove muito. E não
tenho ganas de viver, coração!
César Vallejo
Tradução de Antonio Cicero
Heces
Esta tarde llueve, como nunca; y no
tengo ganas de vivir, corazón.
Esta tarde es dulce. Por qué no ha de ser?
Viste gracia y pena; viste de mujer.
Esta tarde en Lima llueve. Y yo recuerdo
las cavernas crueles de mi ingratitud;
mi bloque de hielo sobre su amapola,
más fuerte que su "No seas así!"
Mis violentas flores negras; y la bárbara
y enorme pedrada; y el trecho glacial.
Y pondrá el silencio de su dignidad
con óleos quemantes el punto final.
Por eso esta tarde, como nunca, voy
con este búho, con este corazón.
Y otras pasan; y viéndome tan triste,
toman un poquito de ti
en la abrupta arruga de mi hondo dolor.
Esta tarde llueve, llueve mucho. ¡Y no
tengo ganas de vivir, corazón!
VALLEJO, César. Obra poética. Edición crítica. Américo Ferrari, coordinador. Madrid; París; México; Buenos Aires; São Paulo; Rio de Janeiro; Lima: ALLCA XX, 1996.
Esta tarde chove como nunca; e não
tenho ganas de viver, coração.
Esta tarde é doce. Por que não há de ser?
Veste graça e pena; veste de mulher.
Esta tarde em Lima chove. E lembro
as cavernas cruéis de minha ingratidão:
meu bloco de gelo sobre sua amapola,
mais forte que seu “Não sejas assim!”
Minhas violentas flores negras; e a bárbara
e enorme pedrada; e o trecho glacial.
E porá o silêncio de sua dignidade
com óleos ardentes o ponto final.
Por isso esta tarde, como nunca, vou
com este mocho, com este coração.
E outras passam; e vendo-me tão triste,
tomam um pouquinho de ti
na abrupta ruga de minha profunda dor.
Esta tarde chove, chove muito. E não
tenho ganas de viver, coração!
César Vallejo
Tradução de Antonio Cicero
Heces
Esta tarde llueve, como nunca; y no
tengo ganas de vivir, corazón.
Esta tarde es dulce. Por qué no ha de ser?
Viste gracia y pena; viste de mujer.
Esta tarde en Lima llueve. Y yo recuerdo
las cavernas crueles de mi ingratitud;
mi bloque de hielo sobre su amapola,
más fuerte que su "No seas así!"
Mis violentas flores negras; y la bárbara
y enorme pedrada; y el trecho glacial.
Y pondrá el silencio de su dignidad
con óleos quemantes el punto final.
Por eso esta tarde, como nunca, voy
con este búho, con este corazón.
Y otras pasan; y viéndome tan triste,
toman un poquito de ti
en la abrupta arruga de mi hondo dolor.
Esta tarde llueve, llueve mucho. ¡Y no
tengo ganas de vivir, corazón!
VALLEJO, César. Obra poética. Edición crítica. Américo Ferrari, coordinador. Madrid; París; México; Buenos Aires; São Paulo; Rio de Janeiro; Lima: ALLCA XX, 1996.
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Tradutor Antonio Cicero
domingo, 23 de maio de 2010
"Al gran cero" / "Ao grão-zero"
Ao grão-zero
Quando o Ser que se é fez o nada
e repousou, que bem o merecia,
já teve o dia noite, e companhia
teve o homem na ausência da amada.
Fiat umbra! Brotou o pensar humano.
e o ovo universal alçou, vazio,
já sem cor, dessubstanciado e frio,
cheio de leve névoa em sua mão.
Toma o zero integral, a oca esfera
que hás de olhar, se o hás de ver, erguido.
Hoje, que está ereto o lombo de tua fera
e está o milagre do não-ser cumprido,
brinda, poeta, um canto de fronteira
à morte, ao silêncio e ao olvido.
António Machado
(tradução de Antonio Cicero)
Al gran cero
Cuando el Ser que se es hizo la nada
y reposó, que bien lo merecía,
ya tuvo el día noche, y compañía
tuvo el hombre en la ausencia de la amada.
¡Fiat umbra! Brotó el pensar humano.
Y el huevo universal alzó, vacío,
ya sin color, desustanciado y frío,
lleno de niebla ingrávida, en su mano.
Toma el cero integral, la hueca esfera
que has de mirar, si lo has de ver, erguido.
Hoy que es espalda el lomo de tu fiera,
y es el milagro del no ser cumplido,
brinda, poeta, un canto de frontera
a la muerte, al silencio y al olvido.
MACHADO, António. In: Obras: poesía y prosa. Buenos Aires: Losada, 1973.
Quando o Ser que se é fez o nada
e repousou, que bem o merecia,
já teve o dia noite, e companhia
teve o homem na ausência da amada.
Fiat umbra! Brotou o pensar humano.
e o ovo universal alçou, vazio,
já sem cor, dessubstanciado e frio,
cheio de leve névoa em sua mão.
Toma o zero integral, a oca esfera
que hás de olhar, se o hás de ver, erguido.
Hoje, que está ereto o lombo de tua fera
e está o milagre do não-ser cumprido,
brinda, poeta, um canto de fronteira
à morte, ao silêncio e ao olvido.
António Machado
(tradução de Antonio Cicero)
Al gran cero
Cuando el Ser que se es hizo la nada
y reposó, que bien lo merecía,
ya tuvo el día noche, y compañía
tuvo el hombre en la ausencia de la amada.
¡Fiat umbra! Brotó el pensar humano.
Y el huevo universal alzó, vacío,
ya sin color, desustanciado y frío,
lleno de niebla ingrávida, en su mano.
Toma el cero integral, la hueca esfera
que has de mirar, si lo has de ver, erguido.
Hoy que es espalda el lomo de tu fiera,
y es el milagro del no ser cumplido,
brinda, poeta, un canto de frontera
a la muerte, al silencio y al olvido.
MACHADO, António. In: Obras: poesía y prosa. Buenos Aires: Losada, 1973.
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Antonio Machado,
Espanhol,
Soneto,
Tradutor Antonio Cicero
sábado, 16 de janeiro de 2010
Palavra / Ein Wort
Palavra, frase: um signo embala
com súbito sentido a vida,
o sol detém-se, o céu se cala
e tudo adquire uma medida.
Palavra, chispa, voo, clarão
e rastros de astros no céu;
e torna o breu, a imensidão
e em meio ao nada o mundo e eu.
Gottfried Benn (transcriação de Antonio Cicero)
Ein Wort
Ein Wort, ein Satz –: Aus Chiffern steigen
erkanntes Leben, jäher Sinn,
die Sonne steht, die Sphären schweigen
und alles ballt sich zu ihm hin.
Ein Wort –. ein Glanz, ein Flug, ein Feuer,
ein Flammenwurf, ein Sternenstrich –,
und wieder Dunkel, ungeheuer,
im leeren Raum um Welt und Ich.
BENN, Gottfried. Gedichte in der Fassung der Erstdrucke. Frankfurt am Main: Fischer Verlag, 1982.
com súbito sentido a vida,
o sol detém-se, o céu se cala
e tudo adquire uma medida.
Palavra, chispa, voo, clarão
e rastros de astros no céu;
e torna o breu, a imensidão
e em meio ao nada o mundo e eu.
Gottfried Benn (transcriação de Antonio Cicero)
Ein Wort
Ein Wort, ein Satz –: Aus Chiffern steigen
erkanntes Leben, jäher Sinn,
die Sonne steht, die Sphären schweigen
und alles ballt sich zu ihm hin.
Ein Wort –. ein Glanz, ein Flug, ein Feuer,
ein Flammenwurf, ein Sternenstrich –,
und wieder Dunkel, ungeheuer,
im leeren Raum um Welt und Ich.
BENN, Gottfried. Gedichte in der Fassung der Erstdrucke. Frankfurt am Main: Fischer Verlag, 1982.
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Alemão,
Gottfried Benn,
O território da poesia,
Tradutor Antonio Cicero
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Alta traição
Não amo minha pátria.
Seu fulgor abstrato
é intangível.
Porém (embora soe mal)
daria a vida
por dez lugares seus,
certa gente,
portos, bosques de pinhos,
fortalezas,
uma cidade desfeita,
gris, mostruosa,
várias figuras de sua história,
montanhas
-- e três ou quatro rios.
José Emilio Pacheco
Tradução de Antonio Cicero
Seu fulgor abstrato
é intangível.
Porém (embora soe mal)
daria a vida
por dez lugares seus,
certa gente,
portos, bosques de pinhos,
fortalezas,
uma cidade desfeita,
gris, mostruosa,
várias figuras de sua história,
montanhas
-- e três ou quatro rios.
José Emilio Pacheco
Tradução de Antonio Cicero
Alta traición
No amo mi patria.
Su fulgor abstracto
es inasible.
Pero (aunque suene mal)
daría la vida
por diez lugares suyos,
cierta gente,
puertos, bosques de pinos,
fortalezas,
una ciudad deshecha,
gris, monstruosa,
varias figuras de su historia,
montañas
-- y tres o cuatro ríos.
Marcadores:
Espanhol,
José Emilio Pacheco,
Tradutor Antonio Cicero
sexta-feira, 27 de março de 2009
Aqueles que acham um problema
Aqueles que acham um problema
Quando refaço algum poema
Saibam por que problema eu passo:
É a mim mesmo que refaço.
(Tradução de Antonio Cícero)
The friends that have it I do wrong
Whenever I remake a song
Should know what issue is at stake
It is myself that I remake.
YEATS, W.B. The collected works in verse and prose. Vol.2, Epigraph. London: Chapman and Hall Ltd., 1908
Quando refaço algum poema
Saibam por que problema eu passo:
É a mim mesmo que refaço.
(Tradução de Antonio Cícero)
The friends that have it I do wrong
Whenever I remake a song
Should know what issue is at stake
It is myself that I remake.
YEATS, W.B. The collected works in verse and prose. Vol.2, Epigraph. London: Chapman and Hall Ltd., 1908
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Yeats
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