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quinta-feira, 11 de abril de 2013

Soneto 76


Soneto 76

Por que meu verso é sempre tão carente
De mutações e variação de temas?
Por que não olho as coisas do presente
Atrás de outras receitas e sistemas?
Por que só escrevo essa monotonia
Tão incapaz de produzir inventos
Que cada verso quase denuncia
Meu nome e seu lugar de nascimento?
Pois saiba, amor, só escrevo a seu respeito
E sobre o amor, são meus únicos temas.
E assim vou refazendo o que foi feito,
Reinventando as palavras do poema.
   Como o sol, novo e velho a cada dia,
   O meu amor rediz o que dizia.



Sonnet 76

Why is my verse so barren of new pride,
So far from variation or quick change?
Why with the time do I not glance aside
To new-found methods, and to compounds strange?
Why write I still all one, ever the same,
And keep invention in a noted weed,
That every word doth almost tell my name,
Showing their birth, and where they did proceed?
O know sweet love I always write of you,
And you and love are still my argument;
So all my best is dressing old words new,
Spending again what is already spent:
   For as the sun is daily new and old,
   So is my love still telling what is told.





SHAKESPEARE, William. "Sonnet 76". In: CARNEIRO, Geraldo (trad. e org.). O discurso do amor rasgado. Poemas, cenas e fragmentos de William Shakespeare. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Boa noite, boa noite!

Shakespeare
Romeu e Julieta (fala de Julieta no Ato 2, Cena 2)



Boa noite, boa noite! partir é tão doce tristeza,
que eu direi boa noite até que amanheça.

Good night, good night! parting is such sweet sorrow,
That I shall say good night till it be morrow.

Tradução de João Alexandre Sartorelli

quinta-feira, 10 de julho de 2008

A tempestade - Prospero - Ato IV, Cena I

Our revels now are ended. These our actors,
As I foretold you, were all spirits, and
Are melted into air, into thin air;
And, like the baseless fabric of this vision,
The cloud-capp'd towers, the gorgeous palaces,
The solemn temples, the great globe itself,
Yea, all which it inherit, shall dissolve,
And, like this insubstantial pageant faded,
Leave not a rack behind. We are such stuff
As dreams are made on; and our little life
Is rounded with a sleep.

Shakespeare


Nossos festejos terminaram. Como vos preveni,
eram espíritos todos esses atores;
dissiparam-se no ar, sim, no ar impalpável.
E tal como o grosseiro substrato desta vista,
as torres que se elevam para as nuvens, os palácios altivos,
as igrejas majestosas, o próprio globo imenso,
com tudo o que contém, hão de sumir-se,
como se deu com essa visão tênue,
sem deixarem vestígio. Somos feitos da matéria
dos sonhos; nossa vida pequenina
é cercada pelo sono.

Tradução Nélson Jahr Garcia

sexta-feira, 4 de julho de 2008

A tempestade

A tempestade
(fala de Próspero, ato IV, cena I)
Shakespeare

We are such stuff
As dreams are made on, and our little life
Is rounded with a sleep.

Nós somos tais coisas
Das quais são feitos os sonhos, e nossa pequena vida
Imersa num oceano de sono.

Tradução de João Alexandre Sartorelli