vivamus, mea lesbia, atque amemus
Vivamos minha Lésbia, e amemos,
e as graves vozes velhas
- todas -
valham para nós menos que um vintém.
Os sóis podem morrer e renascer:
quando se apaga nosso fogo breve
dormimos uma noite infinita.
Dá-me pois mil beijos, e mais cem,
e mil, e cem, e mil, e mil e cem.
Quando somarmos muitas vezes mil
misturaremos tudo até perder a conta:
que a inveja não ponha o olho de agouro
no assombro de uma tal soma de beijos.
vivamus, mea lesbia, atque amemus
vivamus, mea lesbia, atque amemus,
rumoresque senum severiorum
omnes unius aestimemus assis.
soles occidere et redire possunt:
nobis, cum semel occidit brevis lux,
nox est perpetua una dormienda.
da mi basia mille, deinde centum,
dein mille altera, dein secunda centum,
deinde usque altera mille, deinde centum.
dein, cum milia multa fecerimus,
conturbabimus illa, ne sciamus,
aut nequis malus invidere possit,
cum tantum sciat esse basiorum.
CATULLUS, Gaius Valerius. Select poems of Catullus. Edited by Francis P. Simpson. London: Macmillan, 1948.
CAMPOS, Haroldo de. "catuliana". In: Crisantempo: no espaço curvo nasce um. São Paulo: Perspectiva, 2004.
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quinta-feira, 27 de junho de 2013
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Espiral
ESPIRAL
Como o cravo no seu talo,
como o cravo, eis o foguete,
que é um cravo de disparo.
É foguete o torvelinho:
sobe ao céu e se despluma,
canto de ave no pinho.
Como o cravo e como o vento
o caracol é foguete:
empedrado movimento.
E a espiral em cada coisa
seu vibrar difunde em giros:
um mover que não repousa.
O caracol foi corola,
eco de eco, luz, vento,
onda que se encaracola.
Octavio Paz
Tradução de Haroldo de Campos
ESPIRAL
Como el clavel sobre su vara,
como el clavel, es el cohete:
es un clavel que se dispara.
Como el cohete el torbellino:
Sube hasta el cielo y se desgrana,
canto de pájaro en un pino.
Como el clavel y como el viento
el caracol es un cohete:
petrificado movimiento.
Y la espiral en cada cosa
su vibración difunde en giros:
el movimiento no reposa.
El caracol ayer fue ola,
mañana luz y viento, son,
eco del eco, caracola.
Octavio Paz
Como o cravo no seu talo,
como o cravo, eis o foguete,
que é um cravo de disparo.
É foguete o torvelinho:
sobe ao céu e se despluma,
canto de ave no pinho.
Como o cravo e como o vento
o caracol é foguete:
empedrado movimento.
E a espiral em cada coisa
seu vibrar difunde em giros:
um mover que não repousa.
O caracol foi corola,
eco de eco, luz, vento,
onda que se encaracola.
Octavio Paz
Tradução de Haroldo de Campos
ESPIRAL
Como el clavel sobre su vara,
como el clavel, es el cohete:
es un clavel que se dispara.
Como el cohete el torbellino:
Sube hasta el cielo y se desgrana,
canto de pájaro en un pino.
Como el clavel y como el viento
el caracol es un cohete:
petrificado movimiento.
Y la espiral en cada cosa
su vibración difunde en giros:
el movimiento no reposa.
El caracol ayer fue ola,
mañana luz y viento, son,
eco del eco, caracola.
Octavio Paz
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Espanhol,
O espaço ao redor e além,
Octavio Paz,
Tradutor Haroldo de Campos
domingo, 26 de maio de 2013
Arcos
ARCOS
A Silvina Ocampo
Quem canta nas ourelas do papel?
De bruços, inclinado sobre o rio
de imagens, me vejo, lento e só,
ao longe de mim mesmo: ó letras puras,
constelação de signos, incisões
na carne do tempo, ó escritura,
risca na água!
Vou entre verdores
enlaçados, adentro transparências,
entre ilhas avanço pelo rio,
pelo rio feliz que se desliza
e não transcorre, liso pensamento.
Me afasto de mim mesmo, me detenho
sem deter-me nessa margem, sigo
rio abaixo, entre arcos de enlaçadas
imagens, o rio pensativo.
Sigo, me espero além, vou-me ao encontro,
rio feliz que enlaça e desenlaça
um momento de sol entre dois olmos,
sobre a polida pedra se demora
e se desprende de si mesmo e segue,
rio abaixo, ao encontro de si mesmo.
1947*
Octavio Paz
Tradução de Haroldo de Campos
ARCOS
A Silvina Ocampo
¿Quién canta en las orillas del papel?
Inclinado, de pechos sobre el río
de imágenes, me veo, lento y solo,
de mí mismo alejarme: oh letras puras,
constelación de signos, incisiones
en la carne del tiempo, ¡oh escritura,
raya en el agua!
Voy, entre verdores
enlazados, voy entre transparencias,
entre islas avanzo por el río,
por el río feliz que se desliza
y no transcurre, liso pensamiento.
Me alejo de mí mismo, me detengo
sin detenerme en una orilla y sigo,
río abajo, entre arcos de enlazadas
imágenes, el río pensativo.
Sigo, me espero allá, voy a mi encuentro,
río feliz que enlaza y desenlaza
un momento de sol entre dos álamos,
en la pulida piedra se demora,
y se desprende de sí mismo y sigue,
río abajo, al encuentro de sí mismo.
1947
Octavio Paz
A Silvina Ocampo
Quem canta nas ourelas do papel?
De bruços, inclinado sobre o rio
de imagens, me vejo, lento e só,
ao longe de mim mesmo: ó letras puras,
constelação de signos, incisões
na carne do tempo, ó escritura,
risca na água!
Vou entre verdores
enlaçados, adentro transparências,
entre ilhas avanço pelo rio,
pelo rio feliz que se desliza
e não transcorre, liso pensamento.
Me afasto de mim mesmo, me detenho
sem deter-me nessa margem, sigo
rio abaixo, entre arcos de enlaçadas
imagens, o rio pensativo.
Sigo, me espero além, vou-me ao encontro,
rio feliz que enlaça e desenlaça
um momento de sol entre dois olmos,
sobre a polida pedra se demora
e se desprende de si mesmo e segue,
rio abaixo, ao encontro de si mesmo.
1947*
Octavio Paz
Tradução de Haroldo de Campos
ARCOS
A Silvina Ocampo
¿Quién canta en las orillas del papel?
Inclinado, de pechos sobre el río
de imágenes, me veo, lento y solo,
de mí mismo alejarme: oh letras puras,
constelación de signos, incisiones
en la carne del tiempo, ¡oh escritura,
raya en el agua!
Voy, entre verdores
enlazados, voy entre transparencias,
entre islas avanzo por el río,
por el río feliz que se desliza
y no transcurre, liso pensamiento.
Me alejo de mí mismo, me detengo
sin detenerme en una orilla y sigo,
río abajo, entre arcos de enlazadas
imágenes, el río pensativo.
Sigo, me espero allá, voy a mi encuentro,
río feliz que enlaza y desenlaza
un momento de sol entre dos álamos,
en la pulida piedra se demora,
y se desprende de sí mismo y sigue,
río abajo, al encuentro de sí mismo.
1947
Octavio Paz
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Espanhol,
O espaço interior,
Octavio Paz,
Tradutor Haroldo de Campos
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Destino do poeta/Destino de poeta
Destino do poeta
Palavras? Sim, de ar
e perdidas no ar.
Deixa que eu me perca entre palavras,
deixa que eu seja o ar entre esses lábios,
um sopro erramundo sem contornos,
breve aroma que no ar se desvanece.
Também a luz em si mesma se perde.
Octavio Paz
Tradução de Haroldo de Campos
Destino de poeta
¿Palabras? Sí, de aire,
y em el aire perdidas.
Déjame que me pierda entre palavras,
déjame ser el aire en unos labios,
un soplo vagabundo sin contornos,
breve aroma que el aire desvanece.
También la luz en sí misma se pierde.
PAZ, Octavio; CAMPOS, Haroldo. Transblanco (em torno a Blanco de Octavio Paz. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.
Palavras? Sim, de ar
e perdidas no ar.
Deixa que eu me perca entre palavras,
deixa que eu seja o ar entre esses lábios,
um sopro erramundo sem contornos,
breve aroma que no ar se desvanece.
Também a luz em si mesma se perde.
Octavio Paz
Tradução de Haroldo de Campos
Destino de poeta
¿Palabras? Sí, de aire,
y em el aire perdidas.
Déjame que me pierda entre palavras,
déjame ser el aire en unos labios,
un soplo vagabundo sin contornos,
breve aroma que el aire desvanece.
También la luz en sí misma se pierde.
PAZ, Octavio; CAMPOS, Haroldo. Transblanco (em torno a Blanco de Octavio Paz. Rio de Janeiro: Guanabara, 1986.
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Espanhol,
O território da poesia,
Octavio Paz,
Tradutor Haroldo de Campos
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