Mostrando postagens com marcador Heinrich Heine. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Heinrich Heine. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 31 de dezembro de 2024

Quando eu te desposar, teus dias

 Quando eu te desposar, teus dias



Quando eu te desposar, teus dias

     Serão dignos de invejas;

Desfrutarás mil alegrias

     E ociosidade régia.


Hei de perdoar-te mau humor,

     E queixas mas -- é claro –

Se não cobrires de louvor

     Meu verso, eu me separo.



Und bist du erst mein ehlich Weib



Und bist du erst mein ehlich Weib,

     Dann bist du zu beneiden,

Dann lebst du in lauter Zeitvertreib,

     In lauter Pläsier und Freuden.


Und wenn du schiltst und wenn du tobst,

     Ich werd es geduldig leiden;

Doch wenn du meine Verse nicht lobst,

     Laß ich mich von dir scheiden.



HEINE, Heinrich. "Und bist du erst mein ehlich Weib" / "Quando eu te desposar". In: ASCHER, Nelson (trad. e org.). Poesia alheia. 124 poemas traduzidos. Rio de Janeiro: Imago, 1998

sexta-feira, 20 de março de 2015

Não te diz meu rosto pálido

Não te diz meu rosto pálido
Que eu morro de amor por ti?!...
Queres que a bôca o proclame,
Quebre orgulhosa por si!..

Oh! que esta bôca mal sabe
Beijar, sorrisos compor,
Dizer sardônicos ditos
Enquanto eu morro de dor!


Heinrich Heine
Tradução de Gonçalves Dias

Verriet mein blasses Angesicht
Dir nicht mein Liebeswehe?
Und willst du, daß der stolze Mund
Das Bettelwort gestehe?

O, dieser Mund ist viel zu stolz,
Und kann nur küssen und scherzen;
Er spräche vielleicht ein höhnisches Wort,
Während ich sterbe vor Schmerzen.


Heinrich Heine

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Não entro nessa dança, não incenso

Não entro nessa dança, não incenso
Os ídolos de ouro e pés de barro;
Tampouco aperto a mão desse masmarro
Que me difama e distribui dissenso.

Não galanteio a linda rapariga
Que ostenta sem pudor suas vergonhas;
Nem acompanho as multidões medonhas
Que adoram seus heróis de meia-figa.

Eu sei: carvalhos têm que desabar,
Enquanto o junco se abaixando espera
Passar o vento forte da intempérie.

Mas do que pode um junco se orgulhar?
Tirar poeira de capacho ao sol,
Curvar-se para a linha de um anzol.

Ich tanz nicht mit, ich räuchre nicht den Klötzen,
Die außen goldig sind, inwendig Sand;
Ich schlag nicht ein, reicht mir ein Bub die Hand,
Der heimlich will den Namen mir zerfetzen.

Ich beug mich nicht vor jenen hübschen Metzen,
Die schamlos prunken mit der eignen Schand;
Ich zieh nicht mit, wenn sich der Pöbel spannt
Vor Siegeswagen seiner eiteln Götzen.

Ich weiß es wohl, die Eiche muß erliegen,
Derweil das Rohr am Bach, durch schwankes Biegen,
In Wind und Wetter stehn bleibt, nach wie vor.

Doch sprich, wie weit bringt’s wohl am End’ solch Rohr?
Welch Glück! als ein Spazierstock dient’s dem Stutzer,
Als Kleiderklopfer dient’s dem Stiefelputzer.


HEINE, Heinrich. "Sonetos-afresco". In:_____. heine hein?
poeta dos contrários. Introdução e traduções de André Vallias.
São Paulo: Perspectiva, 2011.

terça-feira, 14 de maio de 2013

"Larga as parábolas sagradas" / "Laß die heil'gen Parabolen"

Larga as parábolas sagradas,
Deixa as hipóteses devotas,
E põe-te em busca das respostas
Para as questões mais complicadas.

Por que se arrasta miserável
O justo carregando a cruz,
Enquanto, impune, em seu cavalo,
Desfila o ímpio de arcabuz?

De quem é a culpa? Jeová
Talvez não seja assim tão forte?
Ou será Ele o responsável
Por todo o nosso azar e sorte?

E perguntamos o porquê,
Até que súbito – afinal –
Nos calam com a pá de cal –
Isto é resposta que se dê?

Heinrich Heine tradução de André Vallias

Laß die heil'gen Parabolen,
Laß die frommen Hypothesen -
Suche die verdammten Fragen
Ohne Umschweif uns zu lösen.

Warum schleppt sich blutend, elend,
Unter Kreuzlast der Gerechte,
Während glücklich als ein Sieger
Trabt auf hohem Roß der Schlechte?

Woran liegt die Schuld? Ist etwa
Unser Herr nicht ganz allmächtig?
Oder treibt er selbst den Unfug?
Ach, das wäre niederträchtig.

Also fragen wir beständig,
Bis man uns mit einer Handvoll
Erde endlich stopft die Mäuler -
Aber ist das eine Antwort?



HEINE, Heinrich; VALLIAS, André. Heine, hein? : Poeta dos contrários. São Paulo: Perspectiva; Goethe Institut, 2011.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Acreditava antigamente


Acreditava antigamente
Que todo beijo que me tiram,
Ou que recebo de presente,
Fosse por obra do destino.

Deram-me beijos e beijei,
Antes com tanta seriedade,
Como se obedecesse às leis
Que regem a necessidade.

Agora sei como é supérfluo
E não me faço de rogado,
Vou dando beijos em excesso,
Incrédulo e despreocupado.

Ehmals glaubt ich, alle Küsse,
Die ein Weib uns gibt und nimmt,
Seien uns, durch Schicksalsschlüsse,
Schon urzeitlich vorbestimmt.

Küsse nahm ich, und ich küßte
So mit Ernst in jener Zeit,
Als ob ich erfüllen müßte
Thaten der Notwendigkeit.

Jetzo weiß ich, überflüssig,
Wie so manches, ist der Kuß,
Und mit leichtern Sinnen küß ich,
Glaubenlos im Überfluß.



HEINE, Heinrich: "Uma gaivota. Poemas, 1830-1839". In:_____. VALLIAS, André (org., intr. e trad.). Heine, hein? Poeta dos contrários. São Paulo: Perspectiva, Goethe Institut, 2011.

sábado, 13 de abril de 2013

A Edom!


A Edom!*

Há dois milênios já perdura
A convivência tão fraterna –
Quando eu respiro, tu me aturas,
Se te enraiveces, eu tolero.

Algumas vezes, convenhamos,
Cruzaste as raias do mau gosto,
As santas unhas mergulhando
Na tinta rubra do meu corpo!

Nossa amizade agora cresce
A cada dia e nunca para;
Virei alguém que se enraivece,
Estou ficando a tua cara.



An Edom!*

Ein Jahrtausend schon und länger,
Dulden wir uns brüderlich,
Du, du duldest, daß ich atme,
Dass du rasest, dulde Ich. 

Manchmal nur, in dunkeln Zeiten,
Ward dir wunderlich zu Mut,
Und die liebefrommen Tätzchen
Färbtest du mit meinem Blut! 

Jetzt wird unsre Freundschaft fester,
Und noch täglich nimmt sie zu;
Denn ich selbst begann zu rasen,
Und ich werde fast wie Du.

[1824]


*Edom: do hebraico = 'vermelho'; nome dado a Esaú e ao povo que dele descende; por extensão, aplicado às nações inimigas de Israel [nota de André Vallias]. 






VALLIAS, André. Heine hein? Poeta dos contrários. São Paulo: Perspectiva, 2011 (no prelo).

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Eu não creio no céu

Eu não creio no céu
Do qual o pregador fala;
Eu só creio em teus olhos,
Luz de minha alma.

Eu não creio no Senhor
De quem o pregador fala;
Eu só creio em teu coração
E nenhum outro deus me cala.

Eu não creio no Maligno,
No inferno e esconjuros;
Eu só creio em teus olhos
E em teu coração duro.

Tradução de João Alexandre Sartorelli
do poema "Ich glaub nicht an den Himmel" de Heinrich Heine(1797-1856)

Ich glaub nicht an den Himmel,
Wovon das Pfäfflein spricht;
Ich glaub nur an dein Auge,
Das ist mein Himmelslicht.

Ich glaub nicht an den Herrgott,
Wovon das Pfäfflein spricht;
Ich glaub nur an dein Herze,
'nen andern Gott hab ich nicht.

Ich glaub nicht an den Bösen,
An Höll und Höllenschmerz;
Ich glaub nur an dein Auge,
Und an dein böses Herz.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A donzela mira o mar

A donzela mira o mar,
Longo suspiro, de escol..
Grande seu agitar
Com o por do sol.

Minha donzela! Fique alerta,
É uma longa história.
O sol some na certa
E depois ele retorna.

Das Fräulein stand am Meere
Und seufzte lang und bang,
Es rührte sie so sehre
Der Sonnenuntergang.

Mein Fräulein! Sein Sie munter,
Das ist ein altes Stück;
Da vorne geht sie unter
Und kehrt von hinten zurück.

Heinrich Heine

(tradução de João Alexandre Sartorelli)

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Tu és como uma flor / Du bist wie eine Blume

Tu és como uma flor
Tão doce e bela e pura:
Eu te olho, e uma dor
O meu coração inunda.

Quero que minhas mãos
Em tua cabeça repousem,
Rezando, que Deus te conserve
Tão pura, bela e doce.

Tradução de João Alexandre Sartorelli


Du bist wie eine Blume

So hold und schön und rein:
Ich schau' dich an, und Wehmut
Schleicht mir ins Herz hinein.

Mir ist, als ob ich die Hände
Aufs Haupt dir legen sollt',
Betend, daß Gott dich erhalte
So rein und schön und hold.

Heinrich Heine