na hora de pôr a mesa, éramos cinco:
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs
e eu. depois, a minha irmã mais velha
casou-se. depois, a minha irmã mais nova
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje,
na hora de pôr a mesa, somos cinco,
menos a minha irmã mais velha que está
na casa dela, menos a minha irmã mais
nova que está na casa dela, menos o meu
pai, menos a minha mãe viúva. cada um
deles é um lugar vazio nesta mesa onde
como sozinho. mas irão estar sempre aqui.
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco.
enquanto um de nós estiver vivo, seremos
sempre cinco.
José Luís Peixoto, in 'A Criança em Ruínas'
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quinta-feira, 16 de junho de 2016
sábado, 9 de abril de 2016
CRISÁLIDA
para Luísa
agora já não pedes
meus nervos em pasto
agora já te afastas
crescida em beleza
agora me contas piadas
que aprendes ou inventas
agora pressinto tuas asas
Paula Grenadel
agora já não pedes
meus nervos em pasto
agora já te afastas
crescida em beleza
agora me contas piadas
que aprendes ou inventas
agora pressinto tuas asas
Paula Grenadel
Marcadores:
A arte do encontro,
Paula Grenadel,
Português
quinta-feira, 7 de abril de 2016
Amor como em casa
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Marcadores:
A arte do encontro,
Manuel António Pina,
Português
quarta-feira, 6 de abril de 2016
Rondel
Rondel
Esgotou-se a fonte de oiro dos dias,
Os tons da tarde, azuis e outonais:
Morreram doces flautas pastorais
Os tons azuis da tarde, e outonais
Esgotou-se a fonte de oiro dos dias.
Georg Trakl
tradução de João Barrento
Rondel
Verflossen ist das Gold der Tage,
Des Abends braun und blaue Farben:
Des Hirten sanfte Flöten starben
Des Abends blau und braune Farben
Verflossen ist das Gold der Tage.
Georg Trakl
Esgotou-se a fonte de oiro dos dias,
Os tons da tarde, azuis e outonais:
Morreram doces flautas pastorais
Os tons azuis da tarde, e outonais
Esgotou-se a fonte de oiro dos dias.
Georg Trakl
tradução de João Barrento
Rondel
Verflossen ist das Gold der Tage,
Des Abends braun und blaue Farben:
Des Hirten sanfte Flöten starben
Des Abends blau und braune Farben
Verflossen ist das Gold der Tage.
Georg Trakl
Marcadores:
Alemão,
Georg Trakl,
Tradutor João Barrento
terça-feira, 5 de abril de 2016
TEMPO / ZEIT
TEMPO
Me quedo aqui, eu tenho tempo,
atino aqui, eu tenho tempo.
O dia é escuro, ele tem tempo,
mais tempo do que eu quero, tempo
para que eu meça, longo tempo.
Medida cresce com o tempo.
Somente algo excede o tempo,
é a saudade: nenhum tempo
contemporiza com seu tempo.
Robert Walser
Tradução de André Vallias
ZEIT
Ich liege hier, ich hab ja Zeit,
ich sinne hier, ich hab ja Zeit.
Der Tag ist dunkel, er hat Zeit,
mehr Zeit als ich mir wünsche, Zeit
hab ich zu messen, lange Zeit.
Das Maß wird größer mit der Zeit.
Nur etwas übersteigt die Zeit,
das ist die Sehnsucht, keine Zeit
ist zeitig mit der Sehnsucht Zeit.
Robert Walser
Me quedo aqui, eu tenho tempo,
atino aqui, eu tenho tempo.
O dia é escuro, ele tem tempo,
mais tempo do que eu quero, tempo
para que eu meça, longo tempo.
Medida cresce com o tempo.
Somente algo excede o tempo,
é a saudade: nenhum tempo
contemporiza com seu tempo.
Robert Walser
Tradução de André Vallias
ZEIT
Ich liege hier, ich hab ja Zeit,
ich sinne hier, ich hab ja Zeit.
Der Tag ist dunkel, er hat Zeit,
mehr Zeit als ich mir wünsche, Zeit
hab ich zu messen, lange Zeit.
Das Maß wird größer mit der Zeit.
Nur etwas übersteigt die Zeit,
das ist die Sehnsucht, keine Zeit
ist zeitig mit der Sehnsucht Zeit.
Robert Walser
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Alemão,
O espaço interior,
Robert Walser,
Tradutor André Vallias
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016
PÔR-DO-SOL
E essa claridade
do ocaso?!... De ti, acaso
tem inveja a tarde?!
do ocaso?!... De ti, acaso
tem inveja a tarde?!
Alckmar Luiz dos Santos
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A arte do encontro,
Alckmar Luiz dos Santos,
Português
domingo, 27 de setembro de 2015
Epigrama
Bom é ser árvore, vento:
sua grandeza inconsciente.
E não pensar, não temer.
Ser, apenas. Altamente.
Permanecer uno e sempre
só e alheio à própria sorte.
Com o mesmo rosto tranqüilo
diante da vida ou da morte.
Marly de Oliveira
sua grandeza inconsciente.
E não pensar, não temer.
Ser, apenas. Altamente.
Permanecer uno e sempre
só e alheio à própria sorte.
Com o mesmo rosto tranqüilo
diante da vida ou da morte.
Marly de Oliveira
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